SERÁ QUE PODERIA TER FEITO ALGO A MAIS?
30/12/2019 09:18 em Novidades

SERÁ QUE PODERIA TER FEITO ALGO A MAIS?

 

Prezados amigos e estimadas amigas, no lindo e inesquecível filme – “À espera de um milagre”, de 1999 – acontece, na minha modesta opinião, uma das cenas mais icônicas e emocionantes no que se refere à perspectiva da morte! Incomodado por ter que mandar um homem bom (e, depois, fica-se sabendo que o mesmo era inocente) para a cadeira elétrica e NÃO TER COMO LIBERTÁ-LO DO CORREDOR DA MORTE, Paul Edgecomb (Tom Hanks), dois dias antes da execução, vai até a cela de John Coffrey (Michael Clarke Duncan) e tem com ele um dos diálogos mais emocionantes e de um conteúdo riquíssimo sobre a morte!
(NA MEDIDA EM QUE FOR LENDO ESSE LONGO TEXTO, VOCÊ CERTAMENTE HAVERÁ DE ENTENDER O PORQUÊ FAÇO REFERÊNCIA A ESTA CENA, NESSA REFLEXÃO A QUAL PREPAREI COM MUITO CUIDADO E CARINHO!)

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Com toda certeza, não existe nenhuma pessoa, em todo o Planeta Terra, que não tenha passado pela experiência da perda, da partida de um ente querido. Essa é, sem dúvida, uma experiência profundamente dolorosa! E diante de tal experiência sempre traumática e dolorosa, alguns tentam ignorar a tristeza, outros acabam se fechando em si mesmos. Existem ainda aqueles que reprimem a dor, porém a dor é real e PRECISA SER DEVIDAMENTE VIVIDA, e a isso chamamos de LUTO.

 

O LUTO é o tempo de que precisamos para retomar a nossa vida. É um tempo difícil, mas muito importante. Acontece que, por vezes, durante seu período de luto, muitas pessoas sentem um MISTO DE EMOÇÕES: revolta, tristeza, conformismo ou inconformismo, raiva, indignação, etc. Tudo isso, ATÉ CERTO PONTO E PERÍODO DE TEMPO, é algo normal, uma vez que o nosso coração não é uma mesa com várias gavetas onde separamos nossos sentimentos e emoções. Por essa razão, ao longo do período de luto, é preciso aprender a DESABAFAR EM DEUS, ou seja, mostrar a Ele aquilo que está ferindo, machucando o nosso coração!

 

Ocorre que, ao longo dos meus 14 anos de padre, ouvindo, aconselhando e acompanhando de perto as mais variadas reações das pessoas enlutadas, acredito plenamente que a RAIZ de onde brotam esses demais sentimentos de dor, aflorados em razão da morte de um ente querido, provém da seguinte questão: SERÁ QUE FIZ PELO FALECIDO TUDO O QUE ESTAVA AO MEU ALCANCE? Será que poderia ter feito algo a mais e de um modo diferente? Por que não fiquei mais tempo a seu lado? Por que não fiz mais do que acho que esteve ao meu alcance? POR QUE? ...

 

Na cena a qual faço referência, vemos justamente isso: o personagem de Tom Hanks na eminência da morte daquele homem bom, demonstra toda sua angustia por meio dessas questões: “Me diz o que quer que eu faça! Você quer que eu te tire daqui? Que eu te deixe fugir? ... PARA VER ATÉ ONDE VOCÊ PODE CHEGAR”. MEU DEUS, fico aqui pensando - quem de nós, diante da eminência da morte de um ente querido o qual tanto amamos já não proferiu essas mesmas palavras em nossa mente, em nosso coração, em nossas orações!? Porém, TOTALMENTE INÚTIL, pois a pessoa amada se foi!!!

 

O pior de tudo... O mais terrível dessas – INEVITÁVEIS – perguntas, é que elas sempre acabam por nos levar a uma espécie de AUTOCONDENAÇÃO e, com isso, nosso processo de luto (de retomada do curso da nossa vida) vai ficando cada vez mais demorado. Isso porque essas perguntas, nos deixam com um sentimento de uma CULPA QUE NÃO TEMOS pois, diante da morte nada podemos fazer! E o que é pior, alguns chegam a pensar que foram os culpados pela morte ou, no mínimo, pela doença ou por algum outro ocorrido que ocasionou a morte daquele ente querido. Sem contar aqueles que passam o resto da vida tentando encontrar respostas para estes porquês!

 

Mas aí, vem a surpreendente resposta do personagem John Coffrey para Tom Hanks: “ POR QUE VOCÊ FARIA UMA COISA TÃO IDIOTA ASSIM? EU SEI QUE SOFRE E SE PREOCUPA, EU SINTO ISSO NO SENHOR, MAS DEVE PARAR COM ISSO AGORA, EU QUERO QUE PARE COM ISSO”! Meu prezado amigo e minha estimada amiga, imaginemos nosso ente querido que partiu desta vida, nos falando justamente isso agora! E sabe por que? Porque, PARA QUEM CRÊ, a morte é a passagem que nos leva à mais plena, perfeita e ABSOLUTA presença de Deus e EM DEUS! Consequentemente, está PLENAMENTE LIVRE, LIBERTA DE TODOS OS MALES, a pessoa que passou dessa vida, para a vida em outra dimensão, ou seja, o repouso eterno em Deus!!! Desta forma, quando tenho a CONVICÇÃO, a FÉ PLENA e INABALÁVEL, não existe culpa ou qualquer tipo de questionamento que me leve a DUVIDAR de que meu ente querido ESTÁ EM DEUS, e, com isso, não posso, DE FORMA ALGUMA, temer nenhuma conta a pagar, pois mesmo diante da MAIS REMOTA HIPÓTESE de que tudo, por mais que fiz, ainda assim não tenha sido o suficiente, DEUS, ninguém menos que DEUS está, a partir de então ofertando A PLENITUDE DO BEM, DO BELO E DO BOM ao ente querido que partiu e que N’ele repousa na mais absoluta paz, conforto e descanso!

 

Ao se encontrar face a face com Deus, na plenitude da vida eterna, TUDO o que aqui no campo terreno FOI IMPERFEITO, no campo espiritual, na eternidade feliz, torna-se PURIFICADO e REVESTIDO, ILUMINADO, TOMADO pela graça divina. Nada mais resta para ser cobrado, exigido e muito menos REPARADO! Por essa razão, PENSE NISSO, com todo carinho e fé, e liberte-se, o quanto antes, de qualquer tipo de sentimento que leve você a se perguntar se poderia ter feito algo mais pelo ente amado que se foi. Tenho absoluta convicção de que, direto do colo de Deus, nosso ente querido está a nos dizer: “POR QUE FARIA UMA COISA TÃO IDIOTA ASSIM? EU SEI QUE SOFRE E SE PREOCUPA, EU SINTO ISSO NO SENHOR, MAS DEVE PARAR COM ISSO AGORA, EU QUERO QUE PARE COM ISSO. ESTOU CANSADO, CHEFE...”!

** Pensemos Nisso!
Luís Antônio Favoretto (30/12/2019)

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